06 abril 2013

>Identidade perdida

Li um artigo em um jornal falando sobre pessoas que perambulam pelas ruas dos grandes centros urbanos, são gente que foram esquecidas pela sociedade.  O jornal citava o exemplo de um senhor que havia falecido em novembro do ano passado às margens de um córrego de uma grande avenida da cidade.  Esse senhor desconhecido pelas autoridades, após sua morte, o cadáver foi recolhido e encaminhado para o necrotério municipal a espera que alguém reclamasse, passados seis meses não apareceu ninguém que se interessasse pelo mesmo.  Foi sepultado como indigente devido à falta de documentos de identificação, no cemitério, não havia quem chorasse sua falta, como acontece na maioria dos enterros de pessoas que arrastam dezenas, às vezes centenas de acompanhantes para despedida.

No lugar onde deveria constar um nome, apenas a palavra desconhecido, aparece uma cova rasa sem flores e nada para indicar que ali também tem um ser humano que nasceu, viveu e morreu sem deixar nenhuma história escrita. Segundo os funcionários do local muitas vezes são enterrados de uma só vez dezenas de pessoas que não havendo reclamação dos cadáveres acabam sendo levados a um local especifico para esse tipo de sepultamento. Assim como sua vida seus pertences também foram esquecidos e deixados em baixo da ponte onde morava; um colchonete, um cobertor e um pedaço de plástico, que provavelmente o mesmo usava para se proteger do frio. 

Pessoas que morrem nas cidades sem identificação são enterradas em um minuto sem nenhum ritual e com a presença apenas dos coveiros. São sepultados sem oração ou despedida de quem quer que seja, sem amigos, sem família, na verdade, sem dignidade nenhuma.  O caso desse senhor serve apenas para ilustrar bem a maioria dessas pessoas que perambulam pelas ruas, muitas delas envolvidas com álcool e drogas na grande ilusão que essa atitude vai melhorar ou fazer esquecer o mundo em que vivem. 
(a) J Araújo 

6 comentários:

  1. É uma tristeza mesmo. Eu penso muito no objetivo da minha vida aqui nesse mundo. E sinceramente, apesar de estar bem longe da situação desse pessoal que mora na rua, não tenho boas respostas para a minha vida. Mas acho que a nossa grande missão aqui, é por mais que tudo pareça sem sentido, buscar um sentido novo a cada dia. Porque no dia que a esperança morre, aí realmente temos uma pessoa morta em vida.

    Beijocas

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  2. Tão triste essa situação e tantos acontecem assim... abração,chica

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  3. Triste realidade que nos deixa chocados, mas que infelizmente tem aumentado muito.
    Será que existe algo a ser feito?
    Conheço pessoas que simplesmente preferem as ruas a deixar seus vícios e para não serem incomodados, fixam residência por lá...

    Reflexivo e pertinente texto!

    Tenha um lindo final de semana.
    Um abraço.
    Ivany

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  4. Leite, leitura
    letras, literatura,
    tudo o que passa,
    tudo o que dura
    tudo o que duramente passa
    tudo o que passageiramente dura
    tudo,tudo,tudo
    não passa de caricatura
    de você, minha amargura
    de ver que viver não tem cura
    Paulo Leminski

    abç

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  5. Que triste essa realidade, o que fazer?! Parece tudo tão pouco, são tantas pessoas! Me sinto impotente diante dessa realidade!

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